quinta-feira, 14 de novembro de 2013

A tempestade passou. O sol surgiu, por entre todas as nuvens que o escondiam. o dia nasce, puro, como se fosse o primeiro, tudo é novo. o céu tem uma cor diferente e as folhas das árvores esvoaçam como se sempre tivessem sido imóveis, estátuas num jardim por onde ninguém passa. movimento constante. Dois corpos encontram-se, no meio da multidão. Fundem-se, como se nunca se tivessem abandonado, e pertencessem um ao outro. o mundo regozijou, incrédulo, com tal empatia e simbiose. Os que nele cabem vivem com o vazio, a ânsia de encontrar alguém, algum corpo que os faça sentir da mesma maneira que aqueles dois. O cosmos observa, invejoso, aquele sentimento que faz tudo o resto parecer surreal e utópico. Estas duas almas unem-se para sempre, a força que as atrai é magnetizante. serão sempre puxadas em direções contrárias, mas irá sempre existir uma multidão para se reencontrarem.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

just

estou cansada das pessoas. cansada de me esforçar e depois não perceber quando devo desistir, porque ninguém vale a pena o esforço a não ser nós próprios, e começo a achar que nem eu valho mais a pena. já sei qual vai ser o resultado, vou cair, magoar-me, alguém vai levar tudo o que tenho e nunca mais trazer de volta, vou acabar exatamente no sítio onde comecei, sozinha. porque afinal de contas, é assim que nascemos e morremos, sozinhos. é certo que há pessoas que nos acompanham neste percurso, mas poucas têm a sorte de realmente ter alguém do seu lado, alguém que nos ame tanto como se amam a elas próprias, alguém que não nos complete, mas nos transborde. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Já não me recordo da última vez que fiz algo pela primeira vez. Já nada me parece novo. Sinto-me  renovada, pronta para um novo começo, mas um começo que acaba por não ser mais que uma continuação de uma rotina, que se prolonga infinitamente. Vou começar a fazer aquilo que não é esperado, mesmo que seja errado. Tenho sede de risco, de adrenalina, de experiências. Preciso de criar novas rotinas, e sobretudo, de me redescobrir.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Nos dias que correm, as palavras fogem-me, hábeis, por entre os dedos. Fogem-me como se não fossem minhas, como se nunca tivessem estado dentro de mim. Tanto para dizer, e elas faltam-me, talvez na altura em que mais preciso. Já não consigo melhorar nada, tento apenas remediar, mas parece que até essa capacidade já me escapa também. já não sei o que te dizer, além de que te adoro e que sempre o farei, serás sempre o homem da minha vida. É contigo que acordo e adormeço todos os dias, e apesar desta distância que nos separa fisicamente, já és como um membro do meu corpo sem o qual não consigo sair à rua. já não consigo mais viver nesta dor constante de não estares, de não me sentires, de não me tocares. vivo apenas com memórias, agora distantes, daquilo que somos quando estás, quando me sentes, quando me tocas. Mas não é de memórias que sobrevive o amor, pois essas pertencem ao passado. O amor sobrevive do presente, do dia-a-dia, do sorriso pela manhã e do abraço apertado à noitinha. O amor sobrevive até daquilo que se diz no calor de uma discussão, quando parece que estamos possuídos. O amor sobrevive de tudo aquilo que neste momento não temos, a não ser o próprio amor um pelo outro.